Fenômenos complexos: cientistas também usam seu ouvido musical !

por Marcelo S. Petraglia & Ivan Amaral Guerrini
LabCaos – Instituto de Biociências, UNESP, Botucatu – SP

Na busca de uma compreensão sempre mais ampla e profunda dos fenômenos da natureza, o ser humano tem empenhado todo o seu poder de observação, concentração e reflexão. Sabe-se que o processo cognitivo se dá pela união da experiência sensória com o pensar conceitual. Este opera sobre a experiência e sobre si mesmo buscando extrair a lei e a ordem dos fenômenos (Steiner, 1986). Neste sentido a qualidade e abrangência da observação, bem como o arsenal conceitual do investigador, são de fundamental importância para a formação de hipóteses frutíferas que possam tornar-se, mesmo que temporariamente, verdades operantes da realidade. Neste artigo chamamos a atenção para diversos trabalhos que, de áreas tão distintas do conhecimento como o estudo das seqüências de DNA e proteínas, as emissões de radiação cósmica, os movimentos celulares e os registros sismográficos, que uma vez transpostos para a linguagem musical, podem ser altamente reveladores e fornecer acesso de forma única a fenômenos do macro e do microcosmo natural. Vemos que a audição tem uma enorme capacidade de lidar com informações complexas, de um modo que evidencia sutilezas e padrões de forma mais direta à percepção humana. Tomados em conjunto, os trabalhos mencionados, apontam para uma nova maneira de investigar os fenômenos que ocorrem a nossa volta,especialmente aqueles que se estabelecem na zona dos fenômenos complexos, entre os periódicos previsíveis e os que estão no caos total (Ditto, 2007). Se o ato de conhecer deve no futuro alcançar uma superação da dualidade sujeito-objeto, como propõe a Nova Ciência, entendemos que ouvir a natureza pode ser um bom caminho para este fim, uma verdadeira síntese entre nossa razão científica e nosso sentimento artístico.

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