Percepção musical: efeitos fisiológicos e psicológicos da música em crianças e pré-adolescentes

por Fábio L. Fully Teixeira1 e Paulo Roxo Barja2

A música é conhecida e praticada pelo homem há milênios, provavelmente a partir da tentativa de reproduzir sons da natureza; assim, a história da música confunde-se com a história do homem, ligando-se ao desenvolvimento de sua inteligência e cultura.

Sabe-se que a música contribui para o desenvolvimento da inteligência, criatividade, memorização e sensibilidade, entre outros aspectos, e que a exposição do homem à música pode melhorar a coordenação motora e o estado de espírito [1-3].

Segundo estudiosos como David Tame, Steven Halpern e David Walker, a música influencia não apenas as redes nervosas do cérebro como também a circulação, a digestão, a nutrição e a respiração [4]. Sabe-se que a música pode gerar alterações no nível de atenção, nos ritmos respiratórios e cardíacos, perda de
apetite e estados pré-neuróticos. A música atinge diversos órgãos e sistemas do corpo humano, como cérebro, hipotálamo, hipófise, pele, pulmões, todo o aparelho gastrintestinal e os sistemas circulatório (com ação vasoconstritora e vasodilatadora) e imunológico [5].

A música pode influenciar a variabilidade da frequência cardíaca, elevando ou reduzindo a taxa de batimentos cardíacos; pode alterar o estado de ânimo do ouvinte, reduzindo sua ansiedade e proporcionando-lhe relaxamento [6].

Tendo em vista a redução do estresse e da ansiedade, a música passou a ser utilizada em diversas situações clínicas, inclusive no controle da dor. Entre os mecanismos descritos para explicar esses efeitos estão a indução de relaxamento e a liberação de endorfinas [7].

No entanto, a música não funciona de forma passiva como remédio – exige que o ouvinte participe. O efeito do estímulo sonoro pode depender do gosto e da disposição em ouvir o estímulo utilizado. Assim, é difícil antecipar o efeito que determinado tipo de música terá para uma pessoa. Séculos atrás, a música era normalmente classificada em sacra (religiosa) ou profana. Hoje, ainda que seja às vezes difícil delimitar fronteiras, é comum fazer a distinção entre música popular e música erudita.

Neste trabalho, utilizamos como estímulo sonoro duas formas musicais bastante diversas: o funk (representando a música popular) e a música erudita. Nosso objetivo é investigar até que ponto a música pode influenciar em aspectos psicológicos e parâmetros fisiológicos (como pressão arterial e frequência cardíaca) de crianças e pré-adolescentes normalmente acostumados a ouvir apenas estilos como funk e rap.

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