Acutune – acupuntura sonora

por Prof.Henrique Cirilo

Desde 1995 venho pesquisando técnicas que não sejam invasivas para estimular os pontos dos canais de energia (meridianos), na tentativa de substituir o uso das agulhas da acupuntura por um estímulo que seja tão eficaz quanto o das agulhas. Estimulado e apoiado por um dos meus professores Dr. Wu Tou Kwang, passei a pesquisar a utilização da cor e do som. Recebi dois manuscritos do Dr. Wu, em Francês do médico e pesquisador Jean Lamy, publicados em 1967 e 1968, embora estes manuscritos não descreviam a técnica utilizada com precisão relatavam diversa utilizações das freqüências sonoras e das notas em substituição das agulhas. Em 2001 tive o meu primeiro contato com o prof. Fabien Maman, o qual vem desenvolvendo pesquisas nos últimos 20 anos da utilização de diapasões com notas musicais diferentes nos pontos dos canais de energia. E recentemente (2004) fiz contato com o prof. Dean Loyd, que esteve neste ano esteve na Academia de Musicoterapia Chinesa em Beijing demonstrando as suas pesquisas. No Brasil, com a ajuda do Dr. Edson Toyoji Murasaki e do prof. Marcelo S. Petraglia estamos desenvolvendo e aperfeiçoando a metodologia de trabalho do som substituindo as agulhas de acupuntura. Os resultados têm sido surpreendentes. Mas estamos inventando algo novo ? Não. Como poderemos acompanhar abaixo a utilização da música existe desde os tempos remotos da China.

Aproximadamente há 3.000 anos antes de Cristo, o povo da China já estava de posse da mais complexa e fascinante filosofia da música que hoje se conhece. De onde veio este sistema fechado de misticismo musical ou de que maneira se desenvolveu ninguém sabe. Segundo o ponto de vista dos antigos chineses, as notas das músicas continham uma essência de poder transcendente, um trecho de música era considerado como uma fórmula de energia. Cada composição exercia influências místicas particulares sobre o homem, a civilização e o universo. Compreendiam os chineses que o poder da música era uma energia livre que poderia ser usada para o bem ou mal. Filósofos chineses na antiguidade observavam atentamente o desenvolvimento da música, para que o povo não sofresse influências negativas devido ao uso indevido da música. Confúcio condenou diversos estilos de música que acreditava ser moralmente perigosas, embora estimulava a boa música, pois sabia que poderia ajudar a aprimorar o caráter do homem. Inclusive encontramos em suas narrativas: “uma vez que os indivíduos são os materiais básicos da construção da sociedade, a música também poderia afetar nações inteiras, melhorando-as ou piorando-as”.

Na antiga obra chinesa Yo Ki (Memorial da Música), lemos: “sob o efeito da música, os cinco deveres sociais são sem mistura, os olhos e os ouvidos claros, o sangue e as energias vitais equilibradas, os hábitos reformados, os costumes aprimorados, o império respira uma paz completa”.

Várias lendas chinesas atestam maiores, e até mágicas, possibilidades da música. Uma, por exemplo, nos conta como o mestre de música Wen de Cheng aprendeu a dominar os elementos. O mestre Wen acompanhava o grande mestre Hsiang em suas viagens. Durante três anos Wen arranhou as cordas da cítara, mas não lhe arrancou melodia alguma. Disse-lhe então o mestre Hsiang; “Deixe disso, vá para casa.” Colocando o instrumento no chão, mestre Wen suspirou e respondeu: “Não é que eu não possa produzir uma melodia. O que tenho em mente não se relaciona com cordas, não visa os tons. Enquanto não tiver alcançado no coração não poderei expressa-lo no instrumento; portanto, não me atrevo a mover a mão e ferir as cordas. Dê-me, porém, um pouco de tempo e examine-me depois.” Depois de algum tempo, mestre Hsiang voltou e lhe perguntou: “E então ? Como vai a execução ?.” Era primavera, mas quando mestre Wen dedilhou a corda Shang um vento frio se levantou e os arbustos e as árvores derm frutos. Depois mestre Wen dedilhou a corda Chiao ergueu-se uma brisa lânguida e quente, os arbustos e as árvores floresceram. Depois dedilhou a corda Yu o que provocou uma geada e o congelamento dos rios e lagos. Quando dedilhou a corda Chih o sol rompeu e o gelo imediatamente se derreteu. Finalmente dedilhou a corda Kung e formomos ventos murmuraram, ergueram-se nuvens de boa fortuna e os mananciais da águas avolumaram-se. As quatro cordas externas da cítara simboizam a antiga concepção dos quatro aspectos do homem: sua mente abstrata, sua mente concreta, sua emoções e seu corpo físico. A lenda acima demonstra o poder do som e sua associação com os Cinco Elemento. Também encotraremos associação dos tons com a Astrologia Chinesa, I Ching e a Medicina.

As pesquisas que estamos realizando no Instituto Brasileiro de Chi Kung e Terapias Afins (IBRACHI) têm se baseado na utilização da mensuração dos pontos eletropermeáveis (Ryodoraku) descobertos pelo prof. Nakatani, aplicação dos diapasões nos pontos shu dorsais e shu antigos e comparamos a evolução dos resultados. Na clínica observamos que os resultados são mais rápidos e eficazes muitas vezes quando comparados com as agulhas. Mas precisamos aprofundar mais as pesquisas e o estudo antes relatarmos os resultados. Embora quem desejar conhecer um pouco mais sobre este trabalho pode nos visitar no IBRACHI.

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