Humanamente musicar

por Marcelo S. Petraglia

(Publicado originalmente em: Prata da Casa 6 – escritas e depoimentos sobre a gênese, trajetória e perspectivas do Grupo MAIS. São Paulo: Oboré, 2013)

Reconhece-se que o fazer musical é inerente à espécie humana. A história e mesmo a arqueologia mostram que música esteve presente na humanidade desde épocas imemoriais. Ela teve e continua tendo, um papel de destaque na expressão de nossos pensamentos, sentimentos e ações. Atualmente pode-se dizer que todas as culturas fazem música e que seus membros se expressam musicalmente, seja de forma rudimentar ou altamente sofisticada. Todavia a seguinte citação, contundente e provocativa, do poeta e cientista alemão Johann Wolfgang von Goethe, nos coloca diante de uma situação delicada: “Quem a música não ama, não merece ser chamado de ser humano. Quem apenas ama, é um meio ser humano. Mas quem a música faz, é um ser humano completo” (GOETHE. J. W. 1985).

Se fazer música, no sentido que normalmente se entende por isso (cantar, tocar um instrumento, participar de um coro, orquestra, compor e assim por diante), é o que caracteriza a condição plena de um ser humano, se deveria designar uma outra espécie para todos aqueles que não participam da categoria “músicos”. Sem dúvida isto seria absurdo, considerando tudo aquilo que, de modo amplo, constitui e caracteriza um ser humano. Todavia, a citação acima pode ter um outro sentido se a tomarmos como descrição de um processo: as etapas de um caminho de humanização. Este pensamento pressupõe um ser humano “não acabado”, sempre em desenvolvimento e em constante busca da realização de sua essência. E esta essência, segundo Goethe, parece estar intimamente ligada à arte musical. Para abrir e aprofundar esta reflexão poderíamos perguntar: pode alguém não amar a música? o que é amar a música? o que é realmente fazer música? E por fim: se somos todos seres humanos, pode haver um ser humano “não músico”?

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