Um lugar sagrado

por Vera Lucia Curtu

Aprender um instrumento na idade adulta tem sido um caminho lento mas mesmo assim passei a sentir nitidamente a riqueza do fazer musical. Ele é como um mundo novo no qual entro com todas as minhas velhas singularidades, exageros, distorções, qualidades, todas as minhas questões saudáveis ou não, de desenvolvimento. E para fazer música, preciso superá-las por alguns momentos, num mundo onde tudo é novo, num mundo inédito e cheio de esperança porque a melodia está lá, esperando para acontecer e há indícios de que eu possa conseguir.

É como voltar ao passado e poder corrigir a vida que pareceu correr de forma errada em alguns aspectos. A gente não volta mas é como se tivesse um lugar pra voltar e ser aquilo

O fazer musical é como um “lugar sagrado” que tem as leis, a estrutura dinâmica da vida, mas não tem a história que você viveu. É um lugar imunizado e protegido da história mas nele você pode atualizar sua história, reescrevê-la, de alguma forma, superando limites muito difíceis de superar em outros âmbitos enquanto permanece convivendo com eles para sempre.

É difícil explicar mas é muito real.

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